Redirecionamento

19 abril, 2011

A Inflação Recente no RN e as Perspectivas para 2011

O Brasil vem vivendo nos últimos meses um processo de elevação dos índices de preços, puxado, em grande parte, pela subida dos preços dos alimentos. Em 2010, enquanto o IPCA subiu 5,92% o índice de aumento dos produtos classificados no subgrupo “alimentação no domicílio” elevaram-se em 10,70% e o item “cereais, leguminosas e oleaginosas” subiu o estonteante 17,93%.

No primeiro trimestre de 2011 a inflação brasileira, medida pelo IPCA, já acumula alta de 2,44%, com o subgrupo “alimentação no domicílio” registrando subida de 1,76% e o item “cereais, leguminosas e oleaginosas” mostrando queda de –9,26%.

Em resposta ao aumento do IPCA e ao risco do mesmo ultrapassar os limites estabelecidos pelo regime de metas de inflação, o Banco Central do Brasil está promovendo um ciclo de elevação dos juros como forma de conter a demanda e, com isso, frear a elevação dos preços.

Alguns críticos dessa política de elevação dos juros do BC têm apontado que o ponto central da subida dos preços foi um choque de oferta dos produtos agrícolas e que tal choque já mostrava sinais de arrefecimento, com uma estabilização ou mesmo queda dos preços nos meses vindouros, não havendo, portanto, a necessidade dessa elevação de juros.

O Banco Central por sua vez considera que a economia brasileira está excessivamente aquecida, com o preço dos serviços subindo também de forma significativa e com a economia praticamente em situação de pleno emprego. Diante disso o mesmo considera prudente uma redução da demanda através da elevação de juros e de outras medidas chamadas macroprudenciais (alteração nos prazos de financiamento, aumento do impostos sobre operações financeiras, etc.) como forma de contar a demanda, reduzir o ritmo de crescimento da economia e, com isso, conter a elevação dos preços.

Toda essa grande introdução, todavia, foi para mostrar o ambiente macro sob o qual se situa a evolução dos indicadores de preços do RN.

Atualmente o IDEMA é quem mede o índice de preços ao consumidor do RN (na verdade ele faz levantamento apenas no município de Natal). Em breve o IBGE também fará esse levantamento, quando estenderá para o Rio Grande do Norte o INPC. Aliás, o Instituto já está com uma equipe de trabalho em campo fazendo um levantamento dos estabelecimentos e dos produtos que irão compor a amostra do INPC no estado.

Também o RN vem passando por um período de forte pressão inflacionária, sobretudo no item alimentos. Em 2009 o IPC do RN ficou em 3,50% e o item alimentação em 4,83%. Todavia, 2010 foi marcado por uma forte elevação no preço dos alimentos, o índice geral do IPC no estado fechou 2010 em 6,40% enquanto o item alimentação subiu 15,27%.

No primeiro trimestre de 2011 o IPC potiguar registrou alta de 2,07% e o item “alimentos e bebidas” subiu 4,69%. Nesse item o aumento do RN foi mais que o dobro registrado para o Brasil, cuja elevação no trimestre foi de 2,15%.

Portanto, no RN a pressão da elevação dos preços dos alimentos se mostrou até bem mais acentuada do que aquela registrada para o Brasil. Itens como feijão, açúcar e carne estão entre os grandes vilões da inflação potiguar. Desde fins de 2010, por exemplo, que o preço da carne sofreu um forte reajuste nos supermercados de Natal. É muito comum, por exemplo, encontrarmos em determinados dias da semana na capital potiguar o preço do “chã de dentro” na casa dos R$ 18 o quilo.

Outro vilão da inflação no RN tem sido o item educação: nos 12 meses encerrados em março de 2011 a inflação acumulada desse grupo foi de 13,83%, abaixo somente do grupo alimentos e bebidas (15,66%). Para esse mesmo período o índice geral do estado ficou em 7%.

Acredito, porém, que semelhante ao que se espera para a inflação brasileira, o IPC do RN passe a registrar uma desaceleração nos próximos meses. Na minha opinião já em abril a inflação acumulada em 12 meses, tanto geral quanto nos alimentos, registrará uma tendência de declínio continuado, dando prosseguimento ao que se registrou em março.

Todavia, é preciso esclarecer que não estou dizendo que os preços dos alimentos terminarão 2011 em um patamar inferior ao de 2010. Estou afirmando que o ritmo de elevação dos preços será menor este ano do que no ano anterior. Mas eventualmente um produto ou outro pode até registrar queda de preços (feijão e carne, por exemplo, acredito que cairão ao longo do ano em relação ao patamar atual).

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